Meu coração é folha seca!
E aquele jardim cultivado em cima de todo aquele terreno virgem floresce tão lindo e vivo que a gente até pensa que ia ser para sempre. Mas o amanhã nos traz surpresas, ervas daninhas aparecem pq as flores não se cuidam sozinhas.
Você vê toda aquela vida ali sem nenhum sentido e as violetas começam a murchar, os girassóis não são mais tão mágicos, os lírios da paz que outra aurora eram poderosos, hoje parecem matagais confusos, todas as rosas se refugiam em seus próprios espinhos.
O canteiro fica sem vida e não se te mais aquele anseio em contemplar aquele natureza.
As samambaias estão destruídas, a fonte seca e suja.
O banquinho branco no centro antes sempre disputado, hoje é velho e enferrujado passado do que foi o auge dos casais amantes e nada mais parece ter motivo para se criar vida.
Mas você tem medo de limpar tudo e recomeça porque sabe que nunca mais vai ser a mesma então você insiste em comprar novas mudas, terra diferente e vasos maiores.
Mas a dama da noite não exala perfume e nem as plantas carnívoras sentem fome.
Oh céus como eu queria acreditar na teoria que o amor constrói, muda e renova... Mas eu sou apenas folhas secas, galhos barulhentos e uivos de vento no nada.
Amaldiçoar a primavera que insisti em dizer que algo precisa ser plantado e a terra planada.
Vontade de expulsar ou matar no estilingue os passarinhos que cantam pedindo frutinhas.
Querer abrir buracos para saber se ainda existe mais dor naquele solo antes forte e vívido e hoje infértil e seco.
Gostaria de rejeitar poemas e gritar ao véu de noiva que ele vai ser o primeiro a ser ateado fogo.
Berrar para o futuro que a vida está tá sem graça que não espera nada dele.
Rugir a todos os cantores de sarjeta que é tudo mentira, que o amor só veio para dizer a dor é pior depois dele.
Mas que cargas dagua a razão não me deixa em paz.

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